A alma deixa o corpo durante o sono? O que diz religião e ciência
Por Daniel Bittencourt
Nascer,
viver e morrer. Se a existência do ser humano fosse tão simples quanto
conjugar os verbos da primeira frase ninguém precisaria de uma
religião. Afinal de contas, por que alguém precisaria ter fé para
explicar o óbvio? Acontece que, dos três, os mais simples são nascer e
viver. É no morrer que começam todas as dúvidas e angústias da
Humanidade.
E foi aí que as religiões nasceram e se desenvolveram. Desde o culto aos deuses antigos até as modernas igrejas atuais, tentar entender o transcendental sempre fascinou milhões de pessoas no mundo inteiro. E foi nessa busca de entender de onde viemos e para onde vamos que a Projeciologia encontrou seu terreno fértil.
A técnica diz que é possível que uma pessoa saia do próprio corpo e veja a si mesma e aos outros. É como se a alma se desprendesse do corpo e tivesse vida própria, sem que
ninguém percebesse, só a pessoa que está vivendo a experiência.
Falando assim, parece simples. Mas tão complexa quanto a Projeciologia
é a polêmica que ela provoca. A começar pela história da alma.
“Dizemos
que é um veículo mais sutil, que se manifesta de uma forma mais sutil.
É um veículo das emoções”, explica Félix Wong, um dos coordenadores do
Instituto Internacional de Projeciologia e Conscientologia (IIPC), se
negando a usar o termo ‘alma’. Félix trata o fenômeno como ciência, sem
interferência da religião.
A batalha é árdua. A projeciologia
desperta a atenção de todas as crenças. Algumas, como a Igreja
Católica, se negam a falar sobre o assunto. Em e-mail enviado à redação
do Click21, o padre Geraldo Martins,
assessor de imprensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB), disse que não tinha ‘conhecimento de alguém da Igreja
especializado na área’. Ou seja, deixou claro que o tema não agrada muito aos católicos.
A
relutância deles em aceitar este tipo de experiência não tirou a
curiosidade do advogado Gustavo Medeiros, de 29 anos, sobre o assunto.
Freqüentador de missas, ele se empenhou na prática projeciológica.
“Sempre achei interessante, me atraía muito. Ficava tentando me
concentrar, até que um dia consegui”, relata. “Depois disso, passei a acreditar na vida após a morte. Hoje em dia, as projeções acontecem espontaneamente”, destaca.
Para o Espiritimo, a prática é
comprobatória de que somos almas reencarnadas.
E que, obviamente, provaria a existência da vida após a morte. “A alma
é o Espírito reencarnado. O corpo é instrumento ou veículo que o
Espírito utiliza para manifestar-se no plano físico. Por este veículo,
é possível o ser espiritual reencarnar inúmeras vezes”, ensina Marta
Antunes Moura, presidente da Federação Espírita Brasileira.
Mas
tantas evidências não convencem todo mundo, não. “Pode ser simplesmente
uma impressão ou parte da energia corporal. Alma não é”, defende o padre Quevedo, conhecido estudioso dos fenômenos parapsicológicos
no país. ‘Pode ser um estado alterado de consciência’. E ele vai mais
longe. Sobre a possibilidade de o espírito caminhar por longas
distâncias, decreta.
“Aposto 10 mil dólares, se é possível ir a mais de 50 metros de distância. Quem diz isso é charlatão”, provoca, usando o bordão habitual.
Verdade
ou mentira, uma coisa é unanimidade entre os estudiosos da teoria
projeciológica: os sonhos, ou a impressão de tê-los, podem caracterizar
uma experiência dessas. Então, se nesta noite, você sonhar que esteve
um algum lugar onde nunca foi, você pode ter vivido uma experiência
parapsicológica.